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2019 – um ano de números emblemáticos

25 anos igs

2019 – um ano de números emblemáticos

20 vem logo depois de 19… ou seria antes? Independente do ponto de vista, eles formam uma sequência. Em 2019, comemoro três fatos impactantes que formam a minha sequência: 25, 20 e 10.

 

– há 25 anos (1994) eu iniciei o que se mostrou ser a pedra fundamental para pavimentar o estudo, a pesquisa e o interesse mais incorpado de profissionais brasileiros a respeito do zumbido. Durante a residência médica em otorrinolaringologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, fui aprendendo tudo o que podia com pessoas mais experientes do que eu. Porém, quando eu atendia pacientes com zumbido sem saber nada sobre isso, dificilmente encontrava quem tivesse segurança para me ensinar esse assunto porque na época reinavam idéias do tipo “zumbido não tem cura”, “não há nada que possa ser feito” e “você precisa se acostumar com isso”. Imagine uma pessoa frustrada por não saber como ajudar os pacientes que pareciam sofrer tanto… era eu! Essa foi a primeira e maior motivação para fazer um estágio internacional. Comecei a estudar mais, a aplicar e aperfeiçoar tudo o que havia aprendido, principalmente sobre a investigação das causas do zumbido. Isso ajudou a diminuir o sofrimento de uma pequena parte da população que nos procurava, mas ainda não era suficiente. Na época, eu abordava o zumbido apenas do ponto de vista físico, sem me dar conta de que ele tinha outros lados.

 

– há 20 anos (1999), minha mãe faleceu. Antes que alguém se espante por eu ter mencionado isso como uma das comemorações, eu explico. O trio fatídico formado pela dor visceral de perder a mãe + a culpa por ser médica, mas não conseguir salvá-la do tumor de intestino + o medo de deixar na mão quem poderia precisar de mim naquele momento (talvez meus irmão mais novos; talvez meus pacientes) – tudo junto e misturado – produziram um efeito inusitado em mim… zumbido no ouvido esquerdo!!! Com toda a avaliação médica e audiológica normal, além do pavor de ficar semelhante aos meus piores pacientes, tive que aceitar que sentir o meu próprio objeto de estudo – depois de 5 anos pesquisando apenas sua parte física – deveria ter um quê de emocional, relacionado ao luto. Somado ao trio, um quarto componente entrou de sopetão na minha vida e invadiu meus pensamentos: a busca pelo sentido da vida, principalmente após a morte. Então, voltando à vida profissional, essa foi a segunda motivação para ampliar a abordagem médica, aumentando minha percepção dos problemas emocionais e espirituais que podiam provocar ou piorar o zumbido. Com esta estratégia mais ampla, pudemos melhorar o zumbido de mais pacientes. Além disso, o meu zumbido desapareceu, fato considerado inédito na época. Por isso, considero que a perda de minha mãe provocou muitas coisas ruins, que resultaram em boas transformações. Daí a comemoração, hoje apenas com dois sentimentos: saudades e gratidão.

 

– há 10 anos, eu fui atrevida – nem sabia que eu era! – a ponto de criar o Instituto Ganz Sanchez, meu melhor lugar para trabalhar e dar vazão à minha mente inquieta. Descobri que sou daquelas que, quando finalmente resolve descansar um pouco dessa vida agitada, acaba tendo uma boa ideia – profissional, é claro! – e não vê a hora de colocá-la em prática! Ser dona do meu nariz – que eu também nem sabia que poderia! – e ter uma equipe de ouro foram o melhor trampolim que eu poderia ter para que nosso novo jeito de pensar, de diagnosticar e de tratar o zumbido pudesse ser ejetado à população que sofre com ele e a vários profissionais de saúde.

 

Nunca pensei que, por causa de um sintoma de ouvido rejeitado pela própria Medicina, eu fosse entrar em contato com o corpo humano por inteiro, já que várias doenças de outros órgãos podem dar sintomas no ouvido. Hoje tenho a impressão que existe todo um universo por trás do zumbido esperando para ser desvendado… Certamente ainda há muito para aprender, mas esses foram meus melhores 10 dos 25 anos de dedicação profissional ao zumbido. Sempre quis melhorar a vida das pessoas, mostrando o que pode ser feito. Acredito que aprender os vários mistérios do zumbido e transmitir esses conhecimentos são duas tarefas que fazem parte de uma missão. Para executar essas tarefas, iniciamos algumas ondas de propagação do assunto dirigidas a profissionais, por meio de cursos e palestras, e outras dirigidas ao público com zumbido, por meio do G.A.N.Z (Grupo de Apoio Nacional a pessoas com Zumbido), da TV Zumbido (www.institutoganzsanchez.com.br/tvzumbido), de folhetos informativos, entrevistas, além da 2ª edição do livro Quem Disse Que Zumbido Não Tem Cura?. Também criamos o Dia Nacional de Conscientização sobre Zumbido (11 de novembro), o Dia Nacional de Conscientização sobre Misofonia (12 de novembro) e o Dia Nacional de Conscientização sobre Hiperacusia (13 de novembro), todos englobados dentro da campanha Novembro Laranja, que vem crescendo com o engajamento de mais profissionais.

 

Atualmente, com mais maturidade, estamos engajadas na pesquisa sobre os pacientes que já se curaram. Mostrar que a cura é possível em alguns casos, quando até hoje ainda se pensa “você precisa aprender a conviver com isso” é um avanço enorme, mas não significa que todo mundo se cura. Conhecimento faz bem para todos, mas ele chega devagar! Ainda temos pela frente um trabalho de formiguinha a ser feito. Por sorte, não há porta fechada que barre uma formiga.

Que venham pela frente mais números emblemáticos!

 

O que o ouvido tem a ver com saúde e qualidade de vida? Muito se conhece sobre grandes partes do organismo, como o sistema nervoso, cardiovascular e digestório. Porém, pouco se fala sobre um dos menores órgãos do corpo, o ouvido. Conhecendo-o melhor, é impossível não se apaixonar. Como ele é muito tímido, esconde sua parte principal (cóclea e labirinto) atrás da orelha, do canal auditivo, do tímpano e dos três menores ossos do corpo (martelo, bigorna e estribo). Essa parte nobre do ouvido é do tamanho de uma bolinha de gude infantil, mas trabalha 24h por dia, 7 dias por semana (até durante o sono).

 

Então, qual é o problema com o ouvido que pode comprometer tanto a saúde e a qualidade de vida? Bem, cada ouvido funciona como se fosse uma empresa com cerca de 20 mil funcionários (células ciliadas externas e internas) trabalhando em departamentos de alta complexidade, como os que recebem sons com frequências mais graves, médias ou mais agudas, ou ainda, que informam o cérebro em que posição nós estamos, minuto a minuto. Um detalhe: os funcionários trabalham mergulhados na água, pois o ouvido interno é todinho molhado por líquido (endolinfa e perilinfa). Para que essa empresa seja produtiva, é necessário manter condições ideais para seus funcionários, especialmente um fornecimento contínuo de energia de boa qualidade. Essa energia vem do oxigênio, obtido pela respiração, e dos nutrientes, obtidos pela chegada do sangue. Essa é a parte mais vulnerável da empresa. Embora oxigênio não nos falte, nem nas cidades mais poluídas, o aporte de sangue com bons nutrientes é o calcanhar de Aquiles do ouvido. Em primeiro lugar, todo o sangue precisa chegar à cóclea passando por uma única e estreita entrada (artéria auditiva interna), por isso, as doenças que costumam diminuir a circulação podem comprometer a entrega dos bons nutrientes. É o caso da pressão alta, da diabetes, do colesterol e/ou triglicérides altos, das vasculites etc). Para piorar a história, não basta que o sangue chegue às células… ele precisa conter os nutrientes adequados para que elas funcionem bem o dia todo. Adivinha uma substância que desbalanceia o sangue e atrapalha o funcionamento do ouvido? Os doces e tudo o mais que contenha muito açúcar! A digestão dos doces pode provocar picos de insulina que prejudicam o funcionamento interno das células, por isso esse nutriente em excesso pode atrapalhar, e muito, as funções do ouvido. Sem contar que ficar muito tempo em jejum pode diminuir a quantidade de nutrientes no sangue; é como se os funcionários tivessem que trabalhar sem a hora do almoço. Agora, sabe o que realmente pode matar várias células do ouvido numa tacada só, sem dó nem piedade? A barulheira da vida moderna, seja aquela que a gete escolhe ouvir (festas, baladas, shows, trios elétricos, bombinhas, rojões ou fones de ouvido no máximo) como aquela que a gente é forçada a ouvir, como as máquinas usadas nas obras, o trânsito com suas motos, ônibus e caminhões, além dos apitos, vuvuzelas e gritos nas torcidas de quadra ou estádio.

 

Com essa pequena amostra, já deu para entender que células ciliadas são muito vulneráveis a várias coisas que já fazem parte do dia a dia de muita gente. E você sabe que funcionários infelizes na empresa são capazes de se revoltar, fazer motim ou pedir demissão, né? É aí que sobra uma avalanche de problemas… são eles a perda auditiva, o zumbido, a sensação de ouvido tampado, as alterações de equilíbrio e a intolerância a sons. Quem é que se comunica bem com os amigos ou a família, ou aprende direito o que precisa, tendo uma perda auditiva? Quem é que dorme aquele sono reparador ou se concentra direito quando tem zumbido e ouvido tampado? Quem é que sai de casa numa boa para trabalhar, estudar, se divertir com amigos, viajar ou fazer coisas básicas da casa, quando tem tontura? Quem é que se mantém emocionalmente equiibrado, sem medos, angústias, ansiedade ou depressão, quando os próprios sons do dia a dia passaram a ser intoleráveis e é preciso ficar em casa? Quem??

 

O ouvido é um órgão de respostas sutis e precoces; seus sintomas não matam, mas ele é um dos primeiros a mostrar que algo não está bem. Por isso, quem avisa amigo é! Assim como se diz que “onde há fumaça, há fogo”, eu digo que “para bom entendedor, meia palavra basta”. Seja um bom empresário: cuide de seus ouvidos; invista em sua saúde e qualidade de vida!