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Pensamentos da Páscoa: ressurreição, coelhinho, chocolate e… ouvidos!

Pensamentos da Páscoa: ressurreição, coelhinho, chocolate e… ouvidos!

Páscoa é um dos feriados que eu mais gosto! Confesso que, apesar de só ter entendido o real significado cristão da Páscoa depois da adolescência, tenho deliciosas lembranças da infância.

 

Hoje, sendo mãe, entendo bem melhor o esforço de meus pais para que esse feriado fosse uma diversão em família, usando as estórias do coelhinho e a tão esperada caça ao tesouro. Todos íamos atrás daqueles ovinhos coloridos que tinham sido escondidos embaixo da almofada do sofá, dentro do armário do lavabo, atrás da geladeira, dentro das panelas tampadas na cozinha etc. Que alegria encontrar os ovos e que delícia se lambuzar de comer chocolate sem preocupação, até alguma outra parte do rosto ficar marrom!

 

Por um bom tempo, enquanto eu crescia, os ovos de chocolate iam ficando maiores, apesar da caça ao tesouro ter ficado de lado. E eu continuei comendo os ovos sem moderação. Aí, já na adolescência, as primeiras fichas vão caindo: chocolate dá espinhas (e como!), dá sintomas gastrintestinais (e como!) e tem um poder in-crí-vel de mexer na sua balança (e coooomo!), jogando abaixo todo seu esforço no treino de vôlei e nas aulas de aeróbica.

 

Depois da adolescência, vieram a Medicina e a Otorrinolaringologia. Aí, a coisa complicou, porque conhecimento muda a vida da gente. Quando eu entendi que o chocolate também compromete os ouvidos, que são o meu foco de pesquisa científica e uma das causas de comprometimento da qualidade de vida, comecei a ficar com o pé atrás! De fato, alguns ouvidos sofrem com a ingestão frequente de doces e manifestam esse sofrimento por meio de zumbido, tontura, sensação de ouvido tampado e perda auditiva.

 

O chocolate tem substâncias que podem agredir os ouvidos, como o açúcar e a cafeína. Em alguns organismos, quando o açúcar (glicemia) aumenta no sangue depois da ingestão de doces, o pâncreas passa a produzir mais insulina do que o necessário para minimizar a quantidade de açúcar presente. Essa insulina em excesso é a grande vilã do ouvido, pois provoca uma bagunça na bioquímica do ouvido interno e atrapalha o seu funcionamento normal. A cafeína, também encontrada nos chocolates, acelera o sistema nervoso e como o zumbido já é, por natureza, um “ritmo acelerado” na via auditiva, ele pode aparecer ou piorar ainda mais. A piora do zumbido pode acontecer cerca de 1 hora após tomar a cafeína, que é encontrada não apenas no chocolate, mas também no chá preto e no mate, nos refrigerantes, nos estimulantes e no chimarrão. Quando a dose é alta, o ouvido reage sentindo zumbido ou tontura.

 

O “lado bom da coisa ruim” é que, nas pessoas que têm problemas de ouvido por excesso de ingesta de chocolates, doces em geral ou cafeína, eles podem ser temporários. Assim, nós restringimos esse consumo por cerca de 30 dias para dar chance do ouvido se recuperar. Em algumas pessoas, os sintomas desaparecem; outras precisam de tratamentos específicos e complementares.

Para evitar que as delícias da Páscoa estraguem os ouvidos, sugerimos as dicas abaixo:

1- Consumir chocolate com moderação, pois não existe um número mágico de peso, quadradinhos ou barras para consumo;

2 – Dar preferência para chocolates com pelo menos 70% de cacau (pois eles têm menos açúcar) ou pela versão diet (que substitui o açúcar por adoçante)

3- Experimentar a troca do chocolate pela alfarroba, que é um produto natural que imita o chocolate, porém não tem açúcar, glúten ou lactose, por isso pode ser consumido, com moderação, por qualquer pessoa.

 

Poucas pessoas se preocupam com a saúde dos ouvidos. A maioria só se lembra deles quando sente dor nas otites ou sensação de tampado nos resfriados ou por acúmulo de cera. Mas quando a gente perde o ouvido, o arrependimento é geral!

Vamos cuidar melhor? Boa Páscoa, com foco na ressurreição, na família e… nos ouvidos!