Segunda - Sexta 07:00 - 19:00

2º Sábado de cada mês

(11) 3021-5251

WhatsApp - (11) 94687-5456

 

Dra. Tanit Ganz Sanchez – Congresso na Alemanha

Dra. Tanit Ganz Sanchez – Congresso na Alemanha

 

Desde 1995, temos participado de TODOS os congressos internacionais direcionados ao avanço do zumbido. Existem 2 tipos de eventos dessa natureza:

A) o International Tinnitus Seminar, que foi realizado a 1ª vez em 1979 e ocorre a cada 3 anos. Inclusive, tive o prazer de presidir o de 2011, que foi aqui no Brasil, no Costão do Santinho!

B) o da Tinnitus Research Initiative (TRI), que foi realizado a 1ª vez em 2006 e ocorre todos os anos. Acabei de voltar do evento organizado pela TRI em Regensburg, na Alemanha. Minha participação foi bem extensa, por isso vou dividir o assunto em posts diferentes.

Fiquei bem satisfeita com a repercussão da minha apresentação oral da nossa pesquisa com adolescentes, que teve a ajuda do neurocientista canadense Larry Roberts. A gente se esforça para fazer com que a comunidade internacional valorize e aceite nossos achados e, no fim, esse esforço sempre vale a pena!

A tradução do resumo enviado ao congresso está abaixo.

 

Tanit Ganz Sanchez – Faculdade de Medicina da USP e Instituto Ganz Sanchez, São Paulo, Brasil
Larry E. Roberts – McMaster University, Hamilton, Ontário, Canadá

Num primeiro estudo, Sanchez et al. demonstraram que 28,8% de 170 adolescentes de uma escola privada apresentaram zumbido (confirmado com a medição da acufenometria em cabine acústica) e hipersensibilidade auditiva (confirmada com a medição do Loudness Discomfort Leves – LDL – em cabine acústica), mesmo tendo os exames de audiometria e emissões otoacústicas normais. Os hábitos de lazer que são de risco para o ouvido foram quase universais entre os adolescentes com e sem zumbido, como o uso de fones de ouvido ou a ida regular a festas, baladas, raves etc. Sabendo que alguns adultos jovens apresentaram remissão de zumbido em outras pesquisas, nosso objetivo foi retestar as medições um ano depois para observar a evolução natural. Todos os adolescentes foram novamente convidados e 54 efetivamente concordaram em participar voluntariamente.

Os principais resultados desse segundo estudo com 54 alunos foram:

1) 14 dos 54 adolescentes pertenciam ao grupo de zumbido comprovado por acufenometria no primeiro estudo. Destes 14, 42,9% (6/14) mantiveram o zumbido no reteste enquanto 57,1% (8/14) não tinham mais zumbido.

2) O LDL foi significativamente menor em 17,2 dB (p <0,0001) nos adolescentes que mantiveram o zumbido e foi normal nos casos com remissão do zumbido.

3) A audiometria de 250 a 16000Hz continuou normal (limiares tonais < 20 dBHL) no reteste em 98,3% das orelhas testadas, com apenas um aluno com zumbido tendo limiares > 20 dBHL nas frequências superiores a 11.200 Hz.

4) As emissões otoacústicas continuaram semelhantes entre adolescentes com e sem zumbido.

5) Dos 54 alunos que foram retestados, aqueles que estavam sem zumbido relataram participar menos frequentemente de festas, baladas e raves por semana do que aqueles que estavam com zumbido (42,3% x 62,5%, respectivamente).

Conclusões:

Nosso segundo estudo mostrou uma remissão notável do zumbido persistente em relação ao nosso primeiro estudo (57,1% dos casos), confirmando relatos anteriores de que o zumbido pode ter remissão espontânea em jovens.

As audiometrais e as emissões otoacústicas foram normais e não conseguiram diferenciar os grupos com e sem zumbido.

O exame LDL normalizou nos alunos que tiveram remissão do zumbido e continuaram alterados naqueles que mantiveram zumbido, confirmando pesquisas anteriores de que zumbido e hipersensibilidade auditiva coexistem. Esses dados odem sugerir que a exposição aoruído provoca uma lesão auditiva oculta dos exames convencionais de audição, que pode representar lesão de sinapses entre o ouvido interno e o nervo auditivo.