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A Alma de Médico

A Alma de Médico

Eu acredito que os médicos já nascem mais ou menos direcionados para a Medicina. Para ter essa vida super-hiper-mega puxada que a profissão exige desde o início da faculdade, é preciso, no mínimo, nascer e ser criado com muita vontade de ajudar os outros.

Ser médico definitivamente não é fácil. O que aprendemos na Faculdade, mesmo para quem teve oportunidade de cursar as melhores do país, logo vira minúsculo em relação ao que a própria vida ensina…

Acertar sempre é impossível para qualquer um, mesmo para todos que nascem com a vontade de ajudar os outros! Mas é depois dos erros que a gente vê a personalidade do médico sendo moldada pela experiência. Depois disso é que muitos profissionais se tornam endurecidos, se afastam emocionalmente dos pacientes e se limitam a fazer o mínimo necessário, perdendo boa parte do prazer de ajudar e exercer a profissão.

Eu escolhi uma parte árdua da Otorrinolaringologia, que é lidar com pacientes que sofrem com zumbido, um sintoma comum, porém ainda bem menosprezado pela própria Medicina.

Várias vezes já comentei, seja em consultas, cursos ou mídias sociais, que acho importante os pacientes não aceitarem respostas vagas de seus médicos nas consultas sobre zumbido, tais como: “você vai ter que se acostumar com o zumbido, ele não tem cura”. Sempre sugiro “procure um médico que se importa”. Quando digo isso é porque me coloco no lugar do paciente que não tem ideia sobre o problema que tem e não sabe o que fazer. Eu nem acho que o médico precisa saber tudo nem acertar sempre, mas informação de qualidade é o mínimo que a gente precisa dar para quem se consulta, seja pelo SUS, convênio ou particular.

Os profissionais que cito ou indico para quem é de fora de São Paulo são pessoas que, assim como eu, acreditam na possível cura do zumbido ou, pelo menos, na melhora da qualidade de vida do paciente.

Infelizmente, alguns pacientes pensam que cura é quando você toma um remédio e se livra do zumbido logo a seguir, como se fosse o efeito rápido de um analgésico sobre uma dor de cabeça. Infelizmente, isso ainda não existe no dia a dia do tratamento do zumbido. Mesmo assim, resultados surpreendentes podem ocorrer.

Há alguns anos estamos conduzindo um pesquisa entrevistando casos de cura do zumbido. Identificamos essas pessoas com a ajuda de vários colegas édicos, fonoaudiólogos ou dos próprios pacientes. Ouvi-los não deixa a manor dúvida de que a cura pode chegar para eles, embora cada um a tenha alcancado com métodos diferentes.

Enquanto a ciência não decifra todos os mistérios do zumbido, os pacientes que sofrem podem adotar duas atitudes: 1) ter uma postura positiva sobre o zumbido, não deixando que ele tome uma proporção maior do que a necessária; 2) procurar um otorrinolaringologista que se importa, daqueles que conservam até hoje a alma de médico que eu citei no começo.

Para cada paciente com zumbido há uma alternativa de melhora, que é diferente de caso para caso. Tentar é super válido. Só não vale desistir do tratamento!!!